Car production in Brazil is expected to increase by 24,2% for this year
Creation date: 10 June 2008
Diante dos sucessivos recordes em vendas de veículos, a indústria automotiva revisou seus números. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para este ano um crescimento de 24,2% nas vendas de carros, chegando a 3,060 milhões de unidades. A projeção anterior era de 2,895 mil veículos vendidos, com crescimento sobre 2007 de 17,5%. No ano passado, foram comercializados no País 2,463 milhões de unidades.
Já a produção o salto estimado é de 15%, quase o dobro do projetado no início de 2008. Segundo a perspectiva da Anfavea, as montadoras fabricarão 3,425 milhões de veículos ante 2,977 milhões de unidades produzidas em 2007. A projeção anterior era de um crescimento de 8,9%, com uma fabricação de 2,977 milhões.
Para as exportações, a Anfavea revisou para uma queda de 1% no volume exportado, chegando a 780 mil unidades. No início do ano, a previsão da entidade era de um declínio de 5% nas vendas externas de veículos e máquinas agrícolas. Já em valor, as exportações devem crescer 7,4%, chegando a US$ 14,5 bilhões ante uma previsão de estabilidade em 2008 no comparativo com 2007. A Anfavea estimava exportações de US$ 13,5 bilhões para 2008.
O presidente da Anfavea, Jackson Schneider disse que a partir de agora as montadoras terão um crescimento mais sustentado. "Chegamos a um patamar em que a expansão será mais cadenciada. Não vamos ver aumento de 30% por ano nas vendas. Esse ajuste que fizemos será adequado ao novo cenário. Vamos continuar crescendo, mas em patamares mais módicos", disse Schneider.
Segundo ele, os investimentos programados para este ano de US$ 5 bilhões poderão aumentar a capacidade de produção para sustentar este boom. "As montadoras podem produzir hoje em torno de 3,8 milhões de veículos. Isso garante a previsão de 3,425 milhões de unidades para este ano", disse o dirigente. Para o início do próximo ano, a capacidade de produção da indústria automobilística já deve chegar a 4 milhões de unidades.
Bom desempenho
Em maio, para não fugir da regra, também houve recorde de vendas e produção. No quinto mês do ano foram comercializadas 242 mil unidades, crescimento de 14,6% no comparativo com o mesmo período de 2007, quando foram licenciados 211,1 mil veículos. No acumulado do ano, as vendas no mercado doméstico foram de 1,15 milhão ante 883,6 mil unidades, crescimento de 30,3%.
A produção cresceu 12,2% em maio deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 289,9 mil unidades ante 258,3 mil veículos. No acumulado do ano, as montadoras fabricaram 1,38 milhão de unidades crescimento de 21% no comparativo com os primeiros cinco meses de 2007, com 1,14 milhão de veículos. Já as exportações caíram 23,6% em maio comparando com maio de 2007, passando de 72,23 mil unidades para 55,18 mil veículos. No acumulado do ano, foram vendidas para o mercado externo 300,60 mil, volume 4,1% inferior ao exportado nos cinco primeiros meses de 2007, 313,56 mil veículos.
Em valores, que contabilizam também as máquinas agrícolas exportadas, as vendas externas da indústria automotiva, foram de US$1,11 milhão ante US$ 1,18 milhão no mês de maio de 2007, queda de 6,6%. No acumulado do ano, as exportações apresentaram alta de 10,6%, passado de US$ 5,61 milhões em 2008 para US$ 5,08 milhões. "O bom momento da economia, principalmente dos países da América do Sul que são os maiores mercados, influenciaram a venda maciça de veículos de maior valor agregado. Isso explica o crescimento nos cinco primeiros meses do ano", ressaltou Schneider.
Aliás, o setor de caminhões, como destacou o presidente da Anfavea, continua em expansão. No mês de maio foram licenciados 9,93 mil unidades ante 8,79 mil caminhões em 2007, crescimento de 12,9% Já a produção atingiu 13,38 mil unidades em maio, o que representou um aumento de 10,9% no comparativo com o mesmo mês de 2007, quando foram fabricados 12,07 mil caminhões.
Mercedes-Benz e Renault
Com 1.010 caminhões pesados comercializados em maio, a Mercedes-Benz foi o recordista mensal de vendas no mercado brasileiro, considerando todos os fabricantes do País. As vendas acumuladas entre janeiro e maio deste ano superaram 4.300 unidades, crescimento de 52% em relação a idêntico período de 2007.
A Renault do Brasil informa que registrou em maio aumento das vendas de 107% sobre mesmo mês de 2007. No período foram comercializados 11.221 unidades, sendo 10.734 unidades de passeio e 487 utilitários, ante 5.405 veículos obtido em maio do ano passado. Além do crescimento nos volumes, a Renault também registrou ganho em sua participação de mercado. No último mês, a participação da marca atingiu 4,9%, o que representa um acréscimo de 2,2 pontos percentuais em relação aos 2,7% de maio de 2007. Agora a empresa é a quinta no ranking de vendas.
Autopeças já trabalham no limite da capacidade
Na indústria de autopeças a expectativa é que a produção de veículos chegue a 3,5 milhões de unidades neste ano, 75 mil carros a mais que o projetado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ver nesta página) e um crescimento de 17,5% sobre 2007. "Além da demanda natural que ainda há no mercado, as vendas também estão sendo motivadas pelos lançamentos e até o final do ano a programação das montadoras está bem elevada", disse Wilson Rocha, diretor de vendas e engenharia da TRW Automotive.
Para dar conta de atender o grande volume de pedidos da indústria automobilística, a TRW, que já trabalha no limite da capacidade em três turnos, está investindo para eliminar os pontos de estrangulamento que ainda tem na linha de montagem. "Hoje estamos aumentando a produção com trabalhos pontuais para resolver restrições que ainda há na fábrica, mas a partir de 2009 será necessário fazer novos investimentos para manter o ritmo acelerado de trabalho", comentou Rocha.
A Plásticos Mueller, que também cumpre jornada de trabalho em três períodos, está direcionando os investimentos em equipamentos, máquinas de testes, tecnologia e materiais de design. "O setor automotivo está bombando e sem esses investimentos não é possível atender o grande volume de pedidos", disse Eduardo Buchaim, diretor de vendas da empresa.
Segundo Buchaim, com os incentivos que estão sendo concedidos pelo governo para o setor automotivo, toda a cadeia produtiva vem se preparando para aumentar a quantidade de peças. "Mas acredito que neste ano a produção não passará de 3,5 milhões. Acima disso, não será possível porque não há espaço para crescer, não tem linha de montagem nas montadoras", afirmou.
O presidente da Dura Automotive, Mário Butino, também projeta para este ano o mesmo volume de produção anunciado pela Anfavea (3,425 milhões). Mas teme que ainda poderá ocorrer grandes restrições na indústria de autopeças por falta de capacidade dos subfornecedores, que já absorveram os aumentos das matérias-primas e, por isso, não conseguem fazer novos investimentos, porque demora para repassar o reajuste de preço", diz Butino.
A Dura, que utiliza três turnos em alguns setores da fábrica, está conseguindo atender as encomendadas da montadoras porque acreditou no crescimento do setor automotivo e antecipou as ações. "Fizemos a lição de casa antes do mercado crescer. Adquirimos novos maquinários para garantir um aumento ainda maior da produção", disse o presidente da empresa Butino também acredita que, por causa da limitação que ainda há no setor, o volume de produção não passará de 3,5 milhões neste ano. "Para 2009, a expectativa é que a quantidade de veículos produzida pelas montadoras seja de 10% a 15% superior a 2008", disse o presidente da Dura.
Source: Bounny Projetos e Servicos